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  Para pensar Marilyn

Ana Carolina Acom *

Sempre menciono minha dificuldade de falar dos anos 60, devido à multiplicidade de acontecimentos relevantes que existiram e minha insegurança em sempre deixar lacunas óbvias que me perturbariam. Escrever sobre Marilyn Monroe é quase assim também, mas de um modo contrário. Me parece, que tudo já foi dito desta moça e ainda assim não conseguiram desvendá-la, e nem pretendo fazê-lo. Minha intenção é somente trazer algumas ideias sobre Marilyn para refletir mais um pouco sobre esta figura.



Nunca em minha vida, vi uma mulher de tamanha sensualidade ser ao mesmo tempo tão delicada, irresistivelmente sedutora e sem transparecer plena vulgaridade. Marilyn era a “bomba sexual” que se referiu Alfred Hitchcock, mas também é a Mona Lisa de Hollywood. Por trás de seu sorriso sedutor, ela projetava sexualidade, exacerbando uma liberdade desafiadora e no mesmo momento revelava uma delicada fragilidade. Sua personalidade jamais será desvendada por completo. Sua imagem, de beleza e perfeição, ficou eternizada pelo cinema e fotografias que contribuem ainda mais para o mistério e divinização de sua figura.



Em 05 de agosto de 2012, a morte de Marilyn Monroe completa 50 anos e uma onda de homenagens, reportagens, exposições, livros, filmes, documentários e muito mais estão invadindo o mundo desde o início do ano. O filme “Sete Dias com Marilyn” ganhou destaque e rendeu algumas indicações a prêmios para a atriz Michelle Williams. Michelle sabia, que em nada se parecia com Marilyn e recriou a musa de uma maneira própria. Não tentando ser Marilyn, ela traz algo da identidade Marilyn em pequenos gestos de gentileza e sofrimento. Não se esforçando para parecer sexy, Williams teve outros méritos como a voz e o modo de falar tão marcante e único. A cultura popular é repleta de covers da loira platinada, encontrar uma atriz parecida seria fácil, mas a beleza da atuação de Michele Williams foi trazer elementos da Estrela ainda não explorados, sem apelos de nudez ou clichês fetichistas.


Como as recriações de imagem da musa não pararam nos últimos tempos, tivemos uma série de ensaios fotográficos e até um seriado de TV (Smash), que retrata os bastidores de um musical sobre Marilyn e já inicia com uma série de covers-candidatas ao papel. Dentre os ensaios mais comentados estão o de Lindsay Lohan por Terry Richardson, com uma aura moderna e a cara de ambos! Lindsay Lohan já havia encarnado Marilyn para New Yorker Magazine em 2008 e recentemente para a Playboy. Milla Jovovich foi a mais nova atriz a “vestir” Marilyn Monroe, figurando nas duas capas e editorial da revista Madame Figaro de maio. E a própria Marilyn estampa o cartaz de aniversário do 65º Festival de Cannes, segundo o próprio site do festival: ela “enfeitiça-nos com um gesto promissor, com um sopro em forma de beijo. Este encontro entre a perfeita encarnação do glamour e o Festival, templo do mesmo, representa um ideal de simplicidade e de elegância.



Quando criança, conheci Marilyn através de Madonna, ao ponto de a figura de ambas se misturar em minha cabeça e só com o tempo separar suas imagens. Acho que isto é o maior índice de como Marilyn Monroe pertence à cultura pop, ao imaginário de todas as idades e está arraigada de forma importante a tudo que a menciona, seja Andy Warhol, suas imitações, canecas, camisetas e tudo o mais que for passível de imprimir sua figura eterna.



Marilyn Monroe pode ter sido atormentada por ser o maior signo de “mulher objeto”, mas soube fazer disso seu caminho ao estrelato. Em seus filmes mais famosos ela é isso mesmo, a garota vazia em busca de sucesso através de seu sexo. Hollywood explorou esta faceta ao máximo e podemos ver o resultado em filmes maravilhosos como “O Pecado Mora ao Lado (1955)”, “Quanto mais Quente Melhor (1959)” entre outros. Todos os filmes demonstram seu talento e espontaneidade diante das câmeras, mas é no dramático “Almas Desesperadas (Don't Bother to Knock)” de 1952, início de sua carreira, que mais me surpreende sua atuação. O filme é dirigido por Roy Baker (que faria carreira na Hammer com clássicos do tipo “Vampire Lovers (Carmilla)”) e traz a história de uma garota que tentara suicídio e ao sair de uma temporada no “manicômio” vai tentar uma nova vida com o tio na cidade grande. A trama se desenrola durante uma noite em um hotel de luxo em NY, e vai se tornando mais tensa a cada momento. O tormento da personagem de Marilyn (Nell Forbes) angustia o espectador e nos perturba com seu desamparo e insanidade.



Marilyn é um aglomerado de contradições e mistérios que cercam sua história. Ela almejava, a todo custo, ser reconhecida por seu talento, dessa forma estudou na escola de atores da Actors Studio e teve como “coach” e confidente Paula Strasberg, que a treinava e lhe passava segurança para atuar. No entanto, concomitantemente ao seu anseio de ser uma boa atriz, ficava muito infeliz ao não se sentir em sua plena beleza.

Cinquenta anos após sua morte, Marilyn continua impecável em sua beleza, ainda hoje, é um dos maiores signos da história do cinema e referência eterna. Contudo, sua imagem de perfeição e feminilidade permanecerá envolta em uma aura de mistério e sedução.

*Ana Carolina Acom é graduada em filosofia pela UFRGS e especialista em Moda, Criatividade e Inovação pelo SENAC-RS. Atua como pesquisadora e consultora de moda e semiótica das vestimentas, através de cursos, produções e desenvolvimento de figurino. Possui artigos publicados em todo país e integra o projeto “As Carolinas”, com atuações em diferentes setores da moda.








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