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  Vintage Army

Ana Carolina Acom *

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Durante minha estada em Montreal, fiz diversas pesquisas de moda nos mais variados segmentos e lugares: na “periferia da cidade”, nos comércios de bairro, boutiques, em lojas de grifes famosas, lojas de departamento, brechós e tudo mais que você possa imaginar ser um prato cheio para uma observadora como eu – filosofa e “analista das modas”. Certo dia, uma amiga indicou um brechó  imperdível da cidade (ou friperie, como são chamados por aquelas bandas), o “Eva B. Café-Boutique”, onde há uma surreal piscina de roupas, que você tira o sapato, mergulha e tudo que conseguir pegar é 1 dólar. Como a própria Aline disse, o lugar é bem bizarro, mas imperdível pela unicidade da experiência. Realmente eu achei o lugar incrível, porém extremamente bagunçado e sujo, imaginei que com calma para garimpar, pode-se encontrar verdadeiras relíquias. No entanto, quando cheguei até ele e tive todas essas impressões, já estava concentrada em meu novo achado, a loja ao lado, de artigos militares, novos e vintages: “Surplus D'armée IG Inc.”.

Procurar pela famosa Eva B. me levou até esta loja, a qual me identifiquei de cara e não queria mais sair de lá. Fiquei amiga do dono de tanto pechinchar. A loja tem diferentes artigos militares, novos e antigos, de cair o queixo. Chapéus do exército russo, boinas, kilts escoceses, máscaras de gás, botinas para o mato ou deserto, e uma infinidade de coisas surpreendentes. Apesar de todo este rol de artefatos remeterem a um universo bélico e muitas vezes pesaroso, eles são minados de um potencial fashion de arrepiar. Entre minhas compras estão: uma bolsa da 1a. Guerra, uma boina, um casaco do exército canadense, uma bolsa de escocês (usada com kilts) e um chapéu clássico de marinheiro.

Semanas depois, continuei com a loja na cabeça, sempre fazendo propaganda para os amigos. Foi aí que minha amiga e fotógrafa Dani Sasaki entrou na história, e sugiram as ideias de um “mini ensaio fotográfico” para o texto sobre a famigerada “Surplus”. Montamos uma equipe de brasileiras e nos divertimos muito em uma sessão fotográfica que animou a loja. Passando o sábado lá, pude notar o variado e curioso público de frequentadores: famílias inteiras com crianças, senhores de idade, jovens turistas, pessoal alternativo de Montreal, enfim, de tudo um pouco.
Confira nas fotos o resultado da mistura de elementos interessantes que por lá encontramos. Os looks foram pensados sem uma necessidade de reconstituir os uniformes, mas foram propostos a partir de temas onde estão mesclados artefatos de origens e datas distintas. De certa forma, isso reflete bastante o caráter multicultural da loja e do próprio Canadá, repleto de estrangeiros e formados por diferentes povos.

Falando um pouco sobre as roupas utilizadas:
A camisa listrada dos marinheiros russo (Telnyashkakh) foi projetada há muitos anos atrás para ser facilmente vista de longe em alto mar. Hoje em dia ela ainda e usada, tornando-se artigo tradicional do país e motivo de orgulho para a sua marinha.

O casaco da marinha americana (Alpha's US Navy Pea Coat) é confeccionado desde 1959 com as mesmas especificações e padrões de qualidade. Facilmente reconhecido por seu modelo clássico, ele é usado até hoje, sempre mesclando estilo e funcionalidade, já que é extremamente eficaz para o frio.

O Kilt é um saiote masculino, pregueado na parte de trás, trespassado na parte da frente, de comprimento da cintura até os joelhos. Originário da Escócia, era feito tradicionalmente de lã e com padrões de xadrez específicos para cada “clã”. Apesar de hoje, ele ainda ser utilizado em celebrações na Escócia, ele ganhou um caráter moderno, sendo importado para guarda-roupas de homens e mulheres de todo o mundo. No Canadá ele se tornou peça do vestuário masculino, principalmente devido ao país pertencer à comunidade britânica (Comunidade das Nações), cuja soberana é a Rainha Elizabeth II, e ao povo ser influenciado por seus imigrantes ingleses, escoceses e irlandeses. Dessa forma, além dos kilts xadrezes, trouxemos para foto este em preto.

Além disso, a farda completa ao estilo escocês, com o Kilt tradicional em xadrez de fundo verde, a boina e a bolsa de crina de cavalo na cintura do comprimento do saiote, faz parte do uniforme dos gaiteiros da Guarda Cerimonial Canadense. Esta guarda forma a banda marcial Real do Canadá, que também tem um uniforme praticamente igual ao da guarda da Rainha na Inglaterra (aqueles guardinhas que não se mexem mesmo e usam chapéu alto e peludo).

Ficha técnica das Fotos
Produção e Styling: Ana Carolina Acom
Assistente de Produção: Rachel Polletto
Fotografia: Daniella Sasaki
Modelo: Billa Furlanetto  
Agradecimentos: À toda a equipe, Jimmy e Marc (Surplus IG)
Locação: Surplus D'armée IG Inc.
1611 St-Laurent corner Ontario.
Montréal, Québec
H2X 2S9
Canada

*Ana Carolina Acomé graduada em filosofia pela UFRGS e especialista em Moda, Criatividade e Inovação pelo SENAC–RS. Atua como pesquisadora e consultora de moda e semiótica das vestimentas, através de cursos, produções e desenvolvimento de figurino. Possui artigos publicados em todo país e integra o projeto “As Carolinas”, com atuações em diferentes setores da moda.




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